Still life, still photography

O tempo (Vanitas)

O tempo (Vanitas)

Dentre os vários gêneros de pintura existentes na história da arte, a natureza-morta foi o menos valorizado, sempre atrás das pinturas históricas, religiosas, mitológicas, retratos, cenas domésticas, ficando lado a lado com as paisagens. Enquanto as pinturas de retratos reforçavam o status dos seus personagens e eram encomendadas, as naturezas-mortas, ou seja, os retratos das coisas, eram vistos quase como um exercício técnico.

A tradução still life poderia ser interpretado como vida ainda ou vida estática, enquanto se designa a fotografia estática como still photography, diferenciando-a da fotografia cinematográfica, em movimento. Partindo do jogo de palavras que remete “vida ainda”, e também nesta mesma lógica estática que liga a natureza-morta à fotografia, se estabelece uma relação entre fotografia e a natureza-morta ou viva por meio da representação simbólica da natureza, no caso, flores.

Bem-me-quer

Bem-me-quer

Mal-me-quer

Mal-me-quer

Com base nos trabalhos do fotógrafo americano David LaChapelle, intitulado Earth Laughs in Flowers (2011), da série Vaidades (sem data) do fotógrafo brasileiro Miro, da série Dutch still life in plastic (2010) de Richard Kuiper e da série Broken flowers (2010) de Jon Shireman, a série Still life, still photography pretende aplicar noções básicas de elaboração de uma imagem de natureza-morta analisando e aplicando os conceitos de composição, luz e objetos.

Coincidentemente, todos os trabalhos desenvolvidos pelos fotógrafos são séries pessoais, não vinculadas à publicidade ou à qualquer tipo de encomenda, reforçando novamente a desqualificação do gênero de natureza-morta original, pois apesar de haver relações compositivas entre estas séries fotográficas e o trabalho de fotografia de objetos na publicidade, é apenas no cenário da natureza-morta e seus simbolismos que se torna possível o questionamento sobre morte e vida, movimento e pausa, perenidade e não permanência.

O par de rosas

O par de rosas

A proposta desta série não é transformar a fotografia em pintura e vice-versa, mas dialogar com as bases pictóricas provenientes da pintura para a realização das imagens, sem a tentativa de apropriar-se de uma imagem específica, partindo apenas do conceito e elementos e suas possíveis transposições para o mundo atual, utilizando como suporte a fotografia digital, luz natural e objetos do dia a dia.

Todos os direitos reservados para Maria Thereza Soares. 

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